" RÉQUIEM" PARA UM HOMEM DIGNO
68-114 - ABEL BRASIL PEDRO

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AO NOSSO ETERNO BRIGADEIRO CAMARÃO

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"Réquiem" para um Homem Digno
Abel Brasil Pedro - 68-114


O Brigadeiro Camarão partiu. Sim partiu, porque morte é
uma palavra muito definitiva e
os grandes homens não morrem, pois permanecem vivos
através de sua obra e dos homens honrados que ajudaram a
forjar. Esse "Filho altivo dos ares", alçou mais um vôo
ousado,o vôo definitivo.
O Brigadeiro Camarão partiu. Mas partiu com a cabeça
erguida, com a certeza do dever cumprido, algo hoje,
quando, como dizia Ruy Barbosa, o homem chega a se
envergonhar de ser honesto, de uma raridade inquietante,
partiu deixando um legado de honradez e dignidade a ser
seguido por todos que tiveram o privilégio de privar de
seu convívio, ainda que dentro da distância regulamentar.
O Brigadeiro Camarão partiu. Mas continuará vivo em cada
sala de aulas desse país, quando uma criança estudar que
o ponto mais alto do Brasil é o Pico da Neblina.
Presente prestado à Pátria por seu espírito sempre
inquisitivo e atento, percebendo e pesquisando, de dentro
de seu Catalina "Pata Choca", que aquele monte distante,
que vislumbrava no horizonte, ainda pertencia ao Brasil.



O Brigadeiro Camarão partiu. Mas a cada vez que ligarmos
a televisão e assistirmos a um desses programas, hoje
"politicamente corretos", tratando da integração da Amazônia
e da proteção às comunidades indígenas, saberemos que ele,
com a discrição que só os sábios sabem possuir, talvez,
nesses últimos cinqüenta anos, tenha sido o brasileiro
que mais devotou esforços para manter a Amazônia íntegra,
sem a exploração nem a espoliação de suas comunidades
indígenas, tratando esses primeiros brasileiros com amor
e, principalmente com respeito.
O Brigadeiro Camarão partiu. Mas todas as vezes que formos
a Barbacena e com orgulho e saudade olharmos a nossa EPCAR,
saberemos que praticamente tudo o que lá está, mais algumas
coisas que comandantes que o sucederam, porém sem o seu
talento não souberam manter, foi obra de seu formidável tino
administrativo e capacidade criativa, algo de que a nação
hoje se vê tão carente.
O Brigadeiro Camarão partiu. Mas sempre quando ouvirmos falar
da truculência de alguns maus militares durante o regime de
exceção, lembraremos que durante aquele período obscuro,
houve um comandante militar, que não apenas perdoou um grupo
de jovens idealistas, que tentaram raptá-lo, como os protegeu
e empregou, transformando potenciais inimigos em aliados,
numa lição de estratégia política elegante e civilizada.
Lembraremos que num momento em que as elites pensantes eram
caladas à força, em uma escola militar sob seu comando,
estudávamos, de forma privilegiada, autores e matérias
proibidos pelos que temiam a verdade.
O Brigadeiro Camarão partiu. Mas todos os dias, quando nos
olharmos no espelho e o pudermos fazer bem dentro dos olhos,
sem nada com o que nos envergonhar, lembraremos de seu exemplo
e lições de cidadania, criando uma escola, sob a disciplina
militar, porém muito mais voltada à formação para a vida, pois
ele sabia que apenas homens dignos e honrados podem ser bons
líderes, estejam em que atividades estiverem, e a dignidade vem
do conhecimento e a honradez do exemplo, dois pontos básicos da
filosofia por ele implantada na escola.
O Brigadeiro Camarão partiu, porém deixou profundamente
plantadas em nossos espíritos as sementes da audácia de ousar,
enquanto todos se deixam levar pela corrente, da coragem
de destoar, mesmo quando o silêncio pode ser a saída mais fácil,
da ternura de perdoar, pois melhor do que destruir um inimigo é
construir alianças.

"Entre as nuvens, no céu, vendo a terra...", as legiões de anjos
e arcanjos soprarão hoje seus clarins e trombetas, pois o
Brigadeiro Camarão partiu e aqueles que aprenderam a admirá-lo
elevarão seu olhar e ouvirão vindo do firmamento em sua honra: 

"Oba... Papai chegou..."

Quadro Homenagem ao Brig. Camarão
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DO QUADRO AMPLIADO
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